A tatuagem como forma de expressão

A tatuagem acompanha a humanidade há muito tempo.

Antes de ser uma escolha estética, foi uma forma de marcar identidade, pertença e momentos importantes. Em diferentes culturas, a pele era usada como forma de comunicação, algo que não precisava de palavras.

Antes de ser estética, foi ancestral

Muito antes do que hoje conhecemos como tatuagem moderna, já existiam marcas na pele em diferentes partes do mundo. ‘Em culturas da Polinésia, do Japão, do norte da Europa ou de África, a tatuagem fazia parte da identidade das pessoas. Podia representar estatuto, proteção, rituais de passagem ou ligação espiritual.

Em Portugal

No território que hoje é Portugal, não existem registos claros de tatuagem como prática estruturada, como existia noutras culturas.

A tatuagem ganhou expressão mais tarde, muito ligada aos navegadores e marinheiros portugueses, que entraram em contacto com povos onde a tatuagem já fazia parte da cultura. Mais tarde, já no século XX, também ficou associada a contextos como o serviço militar e as guerras do ultramar.

Muitas pessoas ainda reconhecem essas tatuagens, e uma delas é a famosa expressão “amor de mãe”, muito tatuada pelos nossos combatentes de guerra. Eram marcas feitas em contextos muito específicos, muitas vezes improvisadas, mas carregadas de significado pessoal.

Com o tempo, a tatuagem foi-se afastando desse contexto mais fechado e passou a fazer parte de uma expressão mais individual e artística.

A influência americana

Com o passar do tempo, a tatuagem começou a ganhar uma forma mais definida no Ocidente, especialmente nos Estados Unidos.

Foi aí que surgiram estilos que ainda hoje são referência, como o Traditional (Old School), característico pelas linhas fortes, cores sólidas e símbolos icónicos. Este estilo esteve muito ligado a marinheiros, soldados e viajantes, e ajudou a consolidar a tatuagem como uma linguagem visual própria. Muitos dos elementos que hoje reconhecemos como “clássicos” vieram dessa fase.

De marca cultural a escolha pessoal

Com o tempo, a tatuagem deixou de estar ligada apenas a grupos ou tradições, passou a ser uma escolha pessoal. Hoje, cada pessoa traz a sua própria história, tanto pode ser um símbolo com significado, ou simplesmente algo visual com que se identifica. E nenhuma dessas escolhas é menos válida.

O que continua igual

Apesar de tudo ter evoluído, técnica, materiais e estilos, existe algo que não mudou, a tatuagem continua a ser permanente. Não precisa de ser complicada, nem de ter um significado profundo. Mas deve ser bem pensada e fazer sentido para quem a leva.

O papel do artista

O meu papel como tatuadora vai além de executar.

É interpretar uma ideia, adaptá-la ao corpo e pensar no resultado ao longo do tempo. Nem tudo o que funciona num papel funciona na pele. E nem tudo o que parece simples é realmente simples de executar.

Ao trabalhar um projeto, interpreto a ideia do cliente com base no meu background artístico, tendo em conta vários fatores que influenciam o resultado final, desde o desenho, ao posicionamento e à forma como a tatuagem vai evoluir na pele.

A tatuagem hoje

Vivemos um momento em que a tatuagem é mais acessível e mais visível, e isso também traz mais informação, e muitas vezes, mais confusão.

Há tendências, estilos e referências por todo o lado. E no meio disso, o mais importante continua a ser perceber o que faz sentido para ti.

No fundo, a tatuagem continua a ser uma forma de expressão. Pode ser discreta ou visível. Pode ter significado ou ser apenas estética.

Mas quando é pensada com intenção, torna-se algo que te acompanha, não só na pele, mas na forma como se vê e na forma como é vista.

Muitas vezes, é um processo mais interno, uma forma de marcar algo para nós, de nos identificarmos ou até de nos transformarmos ao longo do tempo.

Se estás a pensar fazer uma tatuagem, posso ajudar-te a encontrar uma ideia que funcione bem para ti e para o teu corpo.

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Significado e Inspiração
Carina Oliveira

O Olhar do Lince: a inspiração por trás da Lynx Sight Tattoo

O longo caminho das artes levou-me até à tatuagem após um curso de produção artística e uma licenciatura em design que não me preencheram suficientemente o coração. Trabalhar em vários estúdios, dois anos como aprendiz e mais alguns como tatuadora, deram-me crescimento, prática e experiência, e com tudo isso chegou

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